Tempo Obtuso - João Nicolau

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ISBN 978-85-65111-36-2   50 pgs - 14,5x21cm
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Entre o ver e o sentir, um mundo de levíssimas impressões vem à tona, e delas se faz a poesia de João Nicolau.
Pode-se-ia dizer, talvez, que as “levíssimas impressões” são filtragens entre o substrato de real e do imaginário, e as direções que a existência do poeta imprime no cruzamento deles.
Esse movimento de trazer do fundo, essa maré de impressões formam, a meu ver, uma das características do trabalho do poeta: as imagens flutuam, há espaços enormes de leitura, é poesia de traços, de rúbricas, como a marca “da borboleta na silhueta da lua”.
Em todos os poemas percebe-se uma sombreação, um encoberto, refreado, contido, um semi tom escuro que permite a passagem do “tempo obtuso” como tempo de fer-mentação de mundos que se mesclam. A respeito deste “escuro” diz Nicolau: “...tempos escuros diminuem a distância entre.../ pensamentos ordinariamente / solitários”.
E quando mundos se misturam há de aparecer o que não pertence a nenhum, ou seja, é novo, o vago vulto, o fantasma, o duplo que obriga o poeta a declarar: “vejo-me vivendo isolado em outro canto; corro atrás dos meus pés andarilhos”.
E o “viver em outro canto”, que é o duplo transparecendo, traz à tona “vozes que ouvem” cujo discurso oculta, por exemplo, na geometria maliciosa da mulher de “rosto diagonal”, as “cores de suas roupas íntimas”.
As “vozes que ouvem” tanto constroem a esperança, à revelia de qualquer desejo, como o sofrer por se saber sonhando, do primeiro poema, quando articulam as faces da monotonia na “cor azul da lentidão do mundo”; na “beleza que é um gotejar no mesmo ponto”, formulando percepções que apontam um “organismo simplório” ou de “porcos que falam”, porcos que sonham?
Entre o coro as vozes internas e o real observável, o poeta cria a “ressonância humanamente profana” da palavra poética que nos permite adentrar as riquezas do Tempo Obtuso.
E as riquezas são as infindas oportunidades para o leitor decantar seus caminhos de leitura ao iniciar, o que será sempre, uma longa viagem em torno do poema, em torno das reticentes e nubladas paragens dos belos poemas de João Nicolau.
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